Indústria acelera transição verde e descobre caminhos para financiar inovação sustentável

Evento da Fiep reúne especialistas e mercado financeiro para destravar crédito e impulsionar competitividade no Paraná

O avanço da agenda sustentável depende menos da intenção e mais da capacidade de articulação e acesso a recurso (Crédito das fotos: Everton da Silveira)

A sustentabilidade deixou de ser promessa para se consolidar como eixo estratégico da indústria brasileira — e o financiamento é peça-chave nessa transformação. Essa foi a tônica do Encontro de Finanças Sustentáveis, realizado na tarde desta terça-feira (5/5), no Campus da Indústria, em Curitiba, que contou com a participação do presidente interino do Sistema Fiep, Virgílio Moreira Filho.

Em seu discurso, ele destacou que o desafio atual não está apenas em desenvolver projetos sustentáveis, mas em viabilizá-los. “O acesso ao crédito é condição essencial para transformar boas ideias em projetos concretos, com impacto real na produtividade e na competitividade industrial”, afirmou, ao reforçar o papel da entidade no apoio às empresas paranaenses.

Ao longo do evento, três painéis aprofundaram o debate sobre descarbonização, acesso a crédito e instrumentos financeiros disponíveis. Para Marina Carinhato Garcia, coordenadora de Finanças Climáticas no WRI Brasil, a urgência é clara: “A descarbonização é crucial para a indústria brasileira, garantindo redução de emissões e competitividade em meio a regulamentações. Financeiramente, oferece acesso a melhores condições de financiamento e evita custos maiores no futuro. Começar agora significa pagar menos — é um excelente investimento”, disse. A avaliação é compartilhada por Paulo Zanardi, sócio-diretor da GSS, que destacou o impacto direto nos resultados empresariais. “Investir em sustentabilidade aumenta o EBITDA, reduz riscos e garante conformidade regulatória. Empresas que ignorarem esse movimento correm o risco de ficar para trás”, alertou.

Do ponto de vista do financiamento, instituições públicas e privadas apresentaram alternativas concretas para diferentes perfis de empresas. Erica Gonzales, da ABDE, ressaltou o papel do sistema nacional de fomento. “Essas instituições promovem igualdade regional, direcionam crédito para projetos sustentáveis e acolhem tanto a indústria quanto o terceiro setor”. Já Thais Paola Grandi, do BRDE, enfatizou as condições diferenciadas: “Projetos como energia alternativa e reuso de água têm acesso a linhas internacionais com juros mais baixos e prazos maiores, reduzindo o impacto no fluxo de caixa”. Na mesma linha, Bruno Camargo, da Finep, destacou o apoio à inovação: “Oferecemos taxas baixas, prazos longos e até recursos não reembolsáveis para projetos de descarbonização, alinhados à Nova Indústria Brasil”.

Cooperativas e agentes financeiros também reforçaram seu papel na ampliação do acesso ao crédito. “As finanças verdes envolvem sustentabilidade, economia circular e eficiência energética. Temos soluções com taxas atrativas, isenção de IOF e prazos longos”, explicou Michel Tamura, do Sicoob Unicoob.

Segundo João Baptista Guimarães, coordenador do Núcleo de Acesso ao Crédito (NAC) da Fiep e responsável pelo evento, o objetivo de um evento como esse que reúne industriais, agentes financeiros e especialistas na área é aproximar empresas de oportunidades. “Queremos mostrar que existem opções mais baratas que as taxas tradicionais, reunindo bancos, consultorias e cooperativas para viabilizar projetos sustentáveis em indústrias de todos os portes”, afirmou.

A reunião de diferentes elos do ecossistema financeiro e produtivo evidenciou que o avanço da agenda sustentável depende menos da intenção e mais da capacidade de articulação e acesso a recursos. “Nesse cenário, a indústria paranaense sinaliza estar pronta para dar um novo salto — agora, com a sustentabilidade no centro da estratégia de crescimento”, concluiu Guimarães.

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